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domingo, 13 de junho de 2010

Ode ao ócio e ao ópio

E foi dada a largada! Centenas de países unificam-se rumo às partidas (amistosas?!) de mais uma edição da Copa do Mundo. Todos e cada um na disputa pela caneca, ou melhor, pela taça de ouro.

É nesse momento que desperta o sentimento ufanista. Parece que o brasileiro sente-se mais brasileiro neste período. De fato, se observarmos o comércio, por exemplo, veremos confecções, calçados, adornos, fitas, bandeiras, bandanas, botons, artigos outros, enfim, uma infinidade de apetrechos bicolor, retratadas no verde e amarelo, especificamente.

Quando ligamos a TV (diga-se de passagem na Globo) é uma enxurrada de notícias sobre o mundo futebolístico. As notícias, padronizadas, estão centralizadas naquele que parece ser a identidade nacional. E ai de quem não entrar no espírito da Copa... Na verdade, somos todos levados (e por que não dizer induzidos?!) a incorporar o momento. Somos persuadidos inconscientemente a vertirmos a camisa verde-amarela.

Bom, ... bem-vindo ao Brasil! Em época de Copa do Mundo não há distinção de classes. Todos, elite, povo, massa uníssonos em um sentimento fulgaz. Uma junção de ócio e ópio. Uma ociosidade preenchida por um entorpecimento moral.

Opinião apocalíptica?! Viva a democracia reflexiva.

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A liberdade não é um ser: é o ser do homem, quer dizer, o seu nada de ser (...) O homem não pode ser ora livre, ora escravo; ele é inteiramente livre ou não é.

(Jean-Paul Sartre, em 'O Ser e o Nada')