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sexta-feira, 18 de junho de 2010

Jose Saramago - (1922-2010)


"Acho que na sociedade atual nos falta filosofia.

Filosofia como espaço, lugar, método de reflexão, que pode não ter um objetivo determinado, como a ciência que avança para satisfazer objetivos.

Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que sem ideias, não vamos a parte nenhuma".


(Trecho do último texto publicado em seu Blog)

domingo, 13 de junho de 2010

Ode ao ócio e ao ópio

E foi dada a largada! Centenas de países unificam-se rumo às partidas (amistosas?!) de mais uma edição da Copa do Mundo. Todos e cada um na disputa pela caneca, ou melhor, pela taça de ouro.

É nesse momento que desperta o sentimento ufanista. Parece que o brasileiro sente-se mais brasileiro neste período. De fato, se observarmos o comércio, por exemplo, veremos confecções, calçados, adornos, fitas, bandeiras, bandanas, botons, artigos outros, enfim, uma infinidade de apetrechos bicolor, retratadas no verde e amarelo, especificamente.

Quando ligamos a TV (diga-se de passagem na Globo) é uma enxurrada de notícias sobre o mundo futebolístico. As notícias, padronizadas, estão centralizadas naquele que parece ser a identidade nacional. E ai de quem não entrar no espírito da Copa... Na verdade, somos todos levados (e por que não dizer induzidos?!) a incorporar o momento. Somos persuadidos inconscientemente a vertirmos a camisa verde-amarela.

Bom, ... bem-vindo ao Brasil! Em época de Copa do Mundo não há distinção de classes. Todos, elite, povo, massa uníssonos em um sentimento fulgaz. Uma junção de ócio e ópio. Uma ociosidade preenchida por um entorpecimento moral.

Opinião apocalíptica?! Viva a democracia reflexiva.

domingo, 6 de junho de 2010

O que faz do brasil Brasil?!

O sentimento nacionalista reverbera mais fortemente durante o ano em que acontecem os jogos da Copa do Mundo. De fato, minutos antes de ser anunciada a escalação dos jogadores da seleção brasileira que está rumo à África do Sul, em busca do hexacampeonato futebolístico, a imprensa nacional mostrou, de Norte a Sul do país, população vestindo (literalmente) não somente a camisa verde e amarela, mas também munindo-se de apetrechos, adornos, artigos decorativos característicos do período. É a população brasileira sendo convocada a aderir ao movimento.

Tal comportamento, a princípio, levou-me a indagar se o futebol é, essencialmente, a identidade nacional. Se for, então eu, mesmo não sendo tão fã de futebol assim, terei que procurar outra nacionalidade, pois estaria excluída destas condições futebolísticas.

Logo em seguida, pensei ser o samba e a feijoada patrimônio cultural do povo brasileiro. Assim, mais uma vez, eu e outros tantos brasileiros tenho certeza de que não se sentiriam brasileiros natos.

Bom, então quem sou eu (somos) neste processo?! Talvez Darcy Ribeiro pudesse auxiliar nesta minha (nossa) inserção sociocultural. Penso que a comunidade indígena seja sim um produto de forte identificação brasilieira. Veja quantos hábitos herdamos dos povos aborígenes... vejamos ainda a herança cultural (étnica) negra.... até do europeu mesmo... e, desta miscigenação eis que surge NÓS!

Enfim, eis a coerente identidade brasileira. Se passarmos a assumir tal postura, essa história pode ser reescrita bem diferente.

No Brasil, a sociedade é relacional e contextual.
 

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A liberdade não é um ser: é o ser do homem, quer dizer, o seu nada de ser (...) O homem não pode ser ora livre, ora escravo; ele é inteiramente livre ou não é.

(Jean-Paul Sartre, em 'O Ser e o Nada')